Jahmaycon
Quando eu ainda estava na adolescência, assisti a um filme na TV aberta que me marcou profundamente. Lembro perfeitamente do enredo e principalmente do ensinamento que o filme me proporcionou. No entanto, o seu título me escapou completamente da memória. Por diversas vezes tentei procurar no Google descrevendo o enredo e alguns termos que eu lembrava, porém nunca achei o referido filme. Queria muito assisti-lo novamente, especialmente com um olhar mais maduro.
Quando finalmente consegui localizá-lo utilizando uma inteligência artificial generativa, vi que as avaliações sobre ele eram as piores possíveis. Acho que isso explica porque nunca mais foi exibido (se foi, não fiquei sabendo).
O filme se chama “A reconquista” e tem como protagonista John Travolta, outro fato que me escapou completamente aos olhos quando o vi, talvez se tivesse notado que aquele personagem alienígena era um ator tão famoso, eu tivesse localizado o filme antes.
Por um momento fiquei balançado pelos comentários, e reportagens, e resenhas que vi sobre ele quando finalmente o localizei. Senti uma certa vergonha de ter colocado em tão alta consideração um filme que, segundo público e crítica, é tão ruim. Depois desencanei desse pensamento, afinal, o que eu extraíra do filme me pertencia e ele não precisa ser bom para ter despertado tal reflexão.
A arte tem esse poder sobre as pessoas, enquanto alguns ficam focados nos aspectos estéticos formais, outros podem apenas estarem interessados numa catarse. Isso explica porque alguns romances fazem tanto sucesso entre jovens enquanto os especialistas arrancam os cabelos tentando compreender o que faz dele um best seller.
O que me marcou no filme foi a impressão totalmente equivocada do alienígena sobre o que a humanidade aprecia. Eles deixaram prisioneiros escaparem para observá-los em liberdade a fim de saberem seus gostos. Quando estes estavam famintos, comeram carne crua. Para o extraterrestre isso era o que eles mais gostavam, porém não conseguiu observar o contexto da atitude daqueles homens.
Quantas vezes em nossas vidas não erramos sobre isso, pensamos que conhecemos alguém, mas não nos atentamos ao contexto daquilo que presenciamos. Sempre busquei lembrar desse filme toda vez que me pego achando que conheço alguém. Erro mais que acerto, mas isso devido a minha falta de habilidade nesta questão.



Belo texto Jahmaycon, meus Parabéns, vou a cumprir minha função dimensionando ao seu texto, legitimando alguns pensamentos que não geram Resistências Culturais e ou Guerras Culturais.
Comentar filmes é função de muita crítica e esforço, muito esforço eu aceito o seu ponto de vista exposto nessas linhas, consegue direcionar, a visão da “A Reconquista” reacende uma velha discussão sobre o Poder, Shakespeare suaviza em sua peça teatral “Hamlet” é uma sátira ao Poder Político, seria uma forma de “Reconquista”, o colunista avançou saltando da Arte para aplicar a Vida, considerando o que David Foster Wallace no seu discurso de formatura ” Sobre a Água”, avaliando suas leituras em livros de Autoajuda ou Motivacional, nesse caso, o colunista aqui recobra uma posição latente.