Por Fernanda Lopes
Outro dia, alguém me disse — com aquele tom disfarçado de julgamento — que eu não tinha muita moral para falar sobre determinado assunto. E tudo porque, num passado nem tão distante, mantive amizade com uma pessoa que fez escolhas bem duvidosas. Dava a entender que minha antiga proximidade com ela era uma espécie de carimbo permanente, como se minha convivência anulasse qualquer discernimento que eu tivesse agora. Fiquei pensando nisso por alguns dias.
A convivência com alguém não é um atestado de concordância. E, ainda assim, as pessoas são muito apressadas em julgar os outros por isso. É como se manter um laço, mesmo depois de um erro, fosse automaticamente uma confissão de apoio. Como se fosse necessário cortar cada elo com quem falha para manter a própria dignidade intacta. Mas não é assim que a vida funciona. Ou pelo menos, não deveria ser.
Já ouvi mais de uma vez que “quem anda com porco, farelo come”. Pois bem, talvez eu tenha comido uns farelos no passado. Talvez eu tenha fechado os olhos para o que não devia, por medo, por afeto, por ingenuidade. Já fui contraditória, já defendi quem não merecia, já fiquei calada quando deveria ter falado. Isso me invalida como pessoa? Me tira o direito de, hoje, questionar o que vejo, exigir respeito, colocar limites?
A gente muda. E mudar não apaga o passado, mas redesenha o caminho que vem pela frente. Não quero ser a pessoa que nega sua história para parecer mais coerente. Quero ser a que olha para trás com honestidade, entende os erros, aprende com eles — e segue. Eu não sou a mesma pessoa de cinco anos atrás. Nem de dois meses. E espero sinceramente não ser a mesma daqui a mais alguns. Carrego as lembranças das minhas relações passadas com um misto de carinho e crítica. Algumas me ensinaram pela presença, outras pela ausência. Algumas me mostraram o que eu quero para mim — e outras, o que eu nunca mais aceito.
Exigir respeito hoje não significa ter sido impecável ontem. Se fosse, estaríamos todos condenados à mudez eterna, sem direito à melhora. A maturidade, para mim, não é sobre ter sido sempre certa, mas sobre ser capaz de olhar para as próprias falhas com honestidade e, apesar delas — ou talvez por causa delas —, escolher caminhos mais leves. A gente se transforma. Devagar, às vezes entre tropeços. E acho cruel demais quando alguém aponta para uma contradição passada como se ela invalidasse tudo que somos agora. Como se um erro antigo fosse um carimbo permanente, uma sentença definitiva sobre nosso caráter.
Não é.
Eu ainda erro, aliás. Mas tento errar diferente. Tento escutar mais. Tento escolher melhor minhas palavras, minhas companhias, meus silêncios. Nem sempre acerto. Mas sigo tentando. E se tem uma coisa que quero levar comigo, é isso: a vida não é um tribunal de registros eternos. É um caminho cheio de erros, mas também de escolhas novas. E estar ao lado de alguém não me define. O que me define é como eu ajo, o que eu aprendo e o que eu me recuso a repetir. Não espero aplauso nem absolvição, mas dignidade. O direito de não ser reduzida ao que fui, mas reconhecida pelo que escolho ser agora.
Se isso é pedir muito, então talvez estejamos mesmo perdidos. Porque, no fim, todos somos um pouco contraditórios. E ainda assim, profundamente merecedores de respeito.



Fernanda seria uma boa dimensão do Errar, na Educação seria um Formato de Aprendizagem para os demais alunos e Docentes pois quando somos Docentes esquecemos muito que fomos discentes durante muito tempo consideramos esse tempo de discente em um Faculdade um certo ponto musical de Fuga, ou ainda quando estudamos vários assuntos hoje somos considerados estranhos a comunidade Docente, perceba que os assuntos que são os seguintes: Vida amorosa e Familiar, Criação dos Filhos, Modelo Público ou Particular de Educação, Vida de Casal intimidades, críticas esportivas ao alunos que estão na corda bamba das notas Vermelhas.
Belo texto Fernanda seria passar 5 vezes no jardim dos caminhos que bifurcam de Borges , aprendemos desde de cedo que errar é negativo pais e mães caridosamente fizeram esse trabalho das pedras, os docentes ainda constroem de forma mais educada esse caminho, mas termina sempre com um “Não” bem disponível ao contextyo executável, nós muitas vezes somos Condenados por Amizades e Influências do passado que sacrificam o nsso direito de dar certas opiniões e nos fragilizam como uma construção permanente de acertos nunca há erros é um Ideal Barroco e Tridentino, onde a cultura Lite´raria corria atrás da perfeição musical e Literária leram Gn.13 errado