Por Gracy do Nascimento
Quantas camadas vamos vestindo ao longo da vida…
Como máscaras, ajustamo-nos ao ambiente e à situação.
Diferente dos animais, não trocamos de pele: acumulamos uma por cima da outra, até ficarmos sufocados, escondidos sob o peso de peles mortas que já não nos servem.
Escondidos, perdemos o cheiro da vida e o brilho do olhar. Já não nos reconhecemos.
Até que, um dia, o fardo se torna insuportável e o odor do que morreu dentro de nós nos obriga a encarar a verdade: é preciso despir-se.
Arrancar essas camadas dói. A pele grita, sangra.
É um processo doloroso, mas necessário. Só assim podemos nos ver nus, despidos de papéis, máscaras e ilusões.
Nus, finalmente, nos reconhecemos.
Quero olhar a minha nudez com amor, tratá-la com honra.
Quero perfumá-la, vesti-la apenas de leveza, deixá-la livre para respirar.
Porque é na nudez da alma que habita a verdadeira plenitude.
Gracy do Nascimento, Jornal Choraminhices



Se caso me esconder demais posso ficar muito sufocado e morrer, as minhas raqízes me revelam ao Mundo e ao meu “Eu” particular a Vida, o Trabalho, a Sociedade pode nos sufocar nessa brincadeira num rápido subir as montanhas escuto o barulho da Natureza e me refaço.