Por Jessé Cardoso
Assim, o ensaísta Claúdio Magris esboçou uma boa coletividade de Ensaios sobre a Literatura, dimensionando a Vida de Autores ao seu “Mundo Escrito” socialmente formalizado por Ítalo Calvino e encerra uma Verdade.
Legalmente, De Salgari, Dumas, London e Stevenson, que apresentam a vida como uma jornada e aventura em seus romances, aos movimentos de vanguarda e à crise da modernidade e do pós-modernismo, nestas páginas Magris oferece um catálogo de leituras que servem como sua carteira de identidade e o código que nos permite entender o mundo e decifrar seu alfabeto.
Fatalmente alimenta a Ilíada e a Odisseia , os trágicos gregos, Lucrécio e Dante, Shakespeare, Leopardi e Baudelaire formam uma parte essencial deste catálogo de leituras, complementar a um tom narrativo que a obra de Magris deve a Tolstói, Melville, Faulkner, Kafka e Sábato.
A ira de Aquiles e Lear, a guerra em Stendhal e Tolstói, a morte em Goethe, a melancolia e o baço de Baudelaire, a combinação de sombra e chama nos contos de Hoffmann, o niilismo de Turgueniev, as duas formas de escrita — romance e ensaio — de Sábato, ou a fusão de experimentação, herança bíblica e tragédia grega em Absalão, Absalão!, um dos ápices de Faulkner.
Bem isso foi muito orientado por Sinal, adere uma coletividade de muitas observações e adequações para certos autores e as Inadequações para outros escritores, Claúdio Magris arremete uma Torre de Babel de opiniões nada circulares entre os mesmo.
E estações dedicadas a lugares como Praga, foco de um excelente ensaio —
Praga ao Quadrado — sobre a intensa relação dessa cidade com a literatura, ou explorando a conexão entre a metrópole e a vanguarda nas primeiras décadas do século XX.
Timidamente, considerar alguns pontos favoráveis em sua Biografia nada perturbável, nada mais natural do que o Nobel consagrar o italiano Umberto Eco, não só um prodigioso intelectual, como ainda autor de uma já considerável obra ficcional, iniciada com o clássico O Nome da Rosa.
Observando, a Itália é imbatível em candidatos, basta lembrar de Carlo Ginzburg (O Queijo e Os Vermes); Pietro Citati (autor de fascinantes biografias, entre elas as de Proust e Goethe); Roberto Calasso (Ka e K.), os quais conciliam o talento narrativo com o rigor como pensadores; sem falar em outro “eterno favorito”, Claudio Magris.
Sinestesias ao Cachorro Morto, paradas à beira-mar para relembrar a identificação entre vida e navegação em Conrad, e na Índia para evocar Kim, o protagonista do livro feliz de Kipling, este catálogo não poderia prescindir de um capítulo dedicado a Kapuscinski, em quem a vida, a escrita e a viagem coexistem inseparavelmente. E há breves paradas em lugares inóspitos, como a inveja entre os poetas, o veneno como ingrediente da vida literária ou a relação conflituosa entre sucesso e valor nos best-sellers.
Jessé Cardoso, Jornal Choraminhices.


