Por Gracy do Nascimento
Lucas 8:45-46. Jesus pergunta: Quem me tocou? Pois sei que de mim saiu virtude!
Há pessoas que passam pela nossa vida como quem atravessa uma rua movimentada:
esbarram, convivem, dividem espaços…
mas não nos tocam de verdade.
São a multidão, aquela que nos cerca todos os dias,
que fala conosco, que trabalha ao nosso lado,
mas nunca alcança o nosso íntimo.
Nunca percebe nossa luz, nossa dor,
ou o que guardamos no silêncio.
Mas há outras (raríssimas)
que chegam com um toque diferente.
Um toque que extrai algo poderoso de nós.
Um toque que desperta.
Um toque que marca.
Elas encostam em alguma parte invisível da nossa alma e, sem perceber,
deixam suas digitais eternas em nós.
E às vezes até vão embora depois disso,
mas deixam um rastro de transformação
que ninguém mais poderia provocar.
Quando Jesus pergunta: “Quem tocou em mim?”,
os discípulos se espantam.
A multidão inteira o comprimia.
Mil braços o encostavam.
Mil corpos o apertavam.
Mas só um toque alcançou sua essência.
Só um toque extraiu dele poder.
É isso que ecoa em mim:
a diferença entre quem esbarra e quem toca.
Eu quero esse toque.
O toque que me faz parar no meio da multidão.
Que interrompe o automático, que quebra o programado,
que acorda o que estava adormecido.
Um toque que traz vida, propósito, desejo, cura.
Quero esse encontro que faz a alma reconhecer outra alma.
O encontro que parece milagre,
não porque muda tudo por fora,
mas porque acende algo por dentro.
O toque que revela o melhor de mim e, ao mesmo tempo,
cura o outro com aquilo que só eu tenho.
Apenas um toque será suficiente
para fazer tudo parar
e fazer tudo começar de novo.
Gracy do Nascimento, Jornal Choraminhices.


