Por José Namboretti
O Beija-flor Encantado escapou do Gavião. Voou até ficar exausto, quando percebeu, estava no interior da floresta. Foi então que encontrou uma zona de Elefantes. Era mais de sete animais, entre fêmeas e machos sem filhotes; a manada estava agitada, ficou a espreitar, mas também era insignificante para ser percebido, para o porte de animais que não deixavam nada sossegado na aldeia. O capim pisoteado sofria calado, chorava sem voz, sem chance de defesa, ora sangrando sem sangue, salvava expelindo liquido que não era sangue. Sofria, deitava, esticava-se e era quebrado, pisado. As árvores estavam sendo arrancadas, derrubadas tombando sobre o capim, aumentando mais o sofrimento do já tão castigado elemento da natureza. Alguns macacos que estavam nas árvores debandaram, a pronunciar palavras sem entendimento para o Beija-Flor Encantando, palavras como “boot, kwe”. Foram desaparecendo na floresta. Os elefantes continuaram a exterminar tudo em volta. A manada ficou mais agitada ainda, quando apareceu um rinoceronte. Emitiram sons de desagrado, levantando as trombas. Em fila indiana rumaram para o Norte.
O Rinoceronte, forte, revestido de suas toneladas de massa, vendo o estrago começou a comer tudo: o capim, os ramos e as árvores que choravam por encontrarem-se desconectadas do todo, do ser que não mais podia fazer parte. Quem podia defendê-las? Trazer a vida e a graça do verde da natureza exuberante. Ali a desgraça acontecera e somente os anjos poderiam restabelecer a ordem, a vida e o bem estar entre os sobreviventes e desconectados. Aquele Rinoceronte tinha outros pensares. Continuou a comer, engolia sem mastigar, parecia um cascudo a limpar o fundo de um aquário. Em pouco tempo a área estava devastada, restando apenas areia. O Rinoceronte ajoelhou-se lambendo o chão, abrindo cratera na área lambida, acariciando areia, única coisa que havia sobrado. O buraco aberto foi tão enorme que o Rinoceronte não conseguiu sair. Foi se afundando debaixo da terra. Desapareceu no meio.
O Beija-Flor Encantado – sem entender o que estava a acontecer – bateu asas e voou para bem longe, demonstrando pouco interesse. Uma coisa era certa: estava diante de uma floresta esquisita e estranha. Tinha esperança de restabelecimento. Diante dos seus olhos, pássaros cantavam, rios tinham água corrente em abundância, que ninguém tinha ideia do seu destino. Flores, muitas. O Encantado dormiu profundamente, mas eis que de repente sentiu um calor estranho e uma tontura. Acordou, estava nas mãos do Gavião, a quilômetros de distância do chão e lutava para escapar das garras da ave malvada, ao o olhar para baixo se assustou, a floresta podia ser comparada a um grão de areia. Seguia como prisioneiro, bem segurado. Não desistiu, tentou escapar enquanto seguia em voou arrasante.
… Continua …
José Namboretti, Jornal Choraminhices.



O Beija Flor Encantado poderia ser Israel nessa Metáfora, que consegue vencer Irã sem Vítimas , associar o Conto baseado no Realismo Fantástico embasado no “Decálogo do Bom Contista” de Horácio Quiroga e nos “100 Anos de Solidão” de Garcia Márquez.