Por Jahmaycon
Estava eu, lendo uma crônica de um aluno quando voltei a minha infância. O texto dele falava da emoção de soltar pipa, de passar o dia todo fora de casa, dos duelos entre um pipeiro e outro no “relo”. Relembrei minha infância em São Roque, quando nas férias, toda molecada só falava de pipa. Não havia outra forma de estar com a turma, não havia outra brincadeira. Então eu tentava me inserir de alguma forma.
Todo mundo, de uma maneira ou de outra, sente a necessidade de pertencer a algum grupo. Se sentir incluído faz muito bem, pois assim as pessoas se sentem importantes, se sentem úteis. Creio que o que mais faz alguém seguir a manada, é conseguir, naquilo que a maioria faz, se destacar. Talvez por isso, quando algo vira moda, cada dia mais gente se junta querendo ser notado. Isso é ainda mais evidente entre crianças e adolescentes, todos querem estar na moda, estar por dentro dos assuntos do momento e poder opinar nas rodas de conversas.
Eu era muito ruim na arte de soltar pipa, aliás, pra ser ruim em algo, é preciso ao menos saber fazer, eu nem isso. Quando meus amigos, ao soltarem pipa, pediam para eu segurar a linha por uns instantes, sabe-se lá porque, a pipa que estava paradinho no ar, sem ele fazer nada, começa a descer. Por vezes, eles amarravam a linha numa cerca e a pipa permanecia no ar, era só eu pegar, parecia que o vento desaparecia, que tinham amarrado uma pedra na pipa, pois ela começava a cair. Logo, eu não sabia soltar pipa, mas queria fazer parte do grupo.
Bolei uma estratégia, comecei a resgatar “os pipas mandados”, (pipa é substantivo masculino na boca de quem o solta) que eram aquelas que perdiam as disputas de “relo” e caiam. A tradição era: quem pegasse era dono. Nisso eu não era ruim, cheguei a ter dezenas de pipas penduradas na parede do meu quarto. Fui feliz por uma temporada.
Ainda naquele mesmo verão comecei a me questionar o porquê daquilo. Me senti ainda mais constrangido por ter um monte de pipas e não saber o que fazer com eles. Desencanei da ideia de fazer parte daquele mundo e doei todas as pipas que tinha resgatado (meu irmão que se beneficiou, este sim, expert nessa arte). Embora pareça uma atitude tola, ter me metido a correr atrás de pipa que eu nunca ergueria ao vento, foi um aprendizado importante para mim: entender o meu lugar e acima de tudo fortalecer esse lugar, aceitar que eu era diferente e estava tudo bem ser assim.
A partir de então, ao invés de tentar fazer o que a maioria fazia, comecei a fazer o que fazia eu me sentir bem. A pessoa que sou hoje passa por isso. O outro lado também é importante observar, é legítimo fazer o que a maioria faz, se se sente bem assim. Ou seja, o importante é se reconhecer, aceitar isso e seguir fazendo e se divertindo, especialmente quando se é criança ou adolescente.



A função do crítico fica nublada, vamos ao trabalho, ler e seus textos dimensioando um Relato de Experiências como “Relato de um Náufrago” de Garcia Márquez com certa profundidade narrativa digna do “Decálogo do Bom Contista” de Horácio Quiroga.
Determinando sua narrativa com específico manejo das ferramentas Narrativas contabilizadas em seu texto como construto Narrativo, e requer certo cuidado, com datas e detalhes preciosos para o prezado leitor, culturalmente avançado ou não avançado
O belo texto de Jahmaycon revelou detalhes de sua infãncia na cidade interiorana de São Roque dividiu opiniões a respeito do texto tal lembrete emblemático fica “Lembre dos pequenos começos, onde teve muitos erros fatais para ajuntar tudo e recomeçar”